PROBLEMAS NO RELACIONAMENTO, TRAUMAS, DEPRESSÃO, ANSIEDADE OU INSÔNIA?

   
     Consultório: (81) 3221.1390
Tap To Call

Entrevista   arrow

Dr. Roberto Faustino

Em entrevista, Dr. Roberto Faustino esclarece questionamentos comuns às pessoas sobre Terapia de Casal. Confira!

Pergunta: Como é o primeiro encontro na terapia de casal? O casal entra junto ou o terapeuta ouve cada um em separado inicialmente?

Dr. Roberto Faustino: Em geral, eu sugiro que o primeiro encontro seja com os dois cônjuges, mesmo que, posteriormente, eu os atenda separadamente, em comum acordo. Mas eu deixo claro para ambos que minha expectativa é de vê-los juntos na sessão, na maioria das vezes, enquanto durar a terapia.

Pergunta: O que costuma acontecer nessa primeira entrevista, nesse primeiro contato? O terapeuta dá voz ao casal ou faz perguntas? O que acontece primeiro?

Dr. Roberto Faustino: Considero a 1ª entrevista importantíssima, daí reservar um tempo maior que as demais. Eu procuro saber as razões de cada um para estar ali presente, interessado em organizar uma conversa em que cada um dos presentes fale por si, trazendo suas expectativas, suas verdades, num ambiente de respeito mútuo em relação às diferenças de cada um. Procuro saber, antes de terminá-la, se cada um se sentiu ouvido e compreendido por mim, se existe algo que gostaria de saber acerca do meu modo de trabalhar c/ eles daqui p/ frente, esclarecendo todas as dúvidas.

Pergunta: E casais gays, eles procuram a terapia de casal?  São bem aceitos como casal?

Dr. Roberto Faustino: Sim, os casais gays, ainda com certa timidez, estão se dando ao direito de procurar ajuda na terapia de casal, e de serem bem acolhidos. Os terapeutas têm a obrigação de não discriminar ninguém. Mas, se por razões de foro íntimo, os terapeutas não se sentirem em condições de atender tais casais, eles podem encaminhá-los para outros terapeutas que não tenham tais impedimentos, e eles existem!

Pergunta: Estamos no século XXI. Ainda hoje a traição conjugal machuca demais o cônjuge traído? É um mote bastante frequente a traição na terapia de casal? Ou a traição nem chega ao consultório do terapeuta, acaba com a relação antes?

Dr. Roberto Faustino: É comum a infidelidade conjugal se tornar um dos motivos principais pela procura da terapia de casal. De fato, ninguém gosta de se sentir traído/a pela companheira/o; isto dói muito, assim os clientes têm relatado. Às vezes, as pessoas procuram a terapia com objetivo de uma reconciliação, quando isso ainda é possível, ou ainda para uma separação amigável, principalmente quando o casal têm filhos.

Pergunta: Por que há tantos insucessos no casamento? Existem erros fundamentais que se repetem com a maioria dos casais em desajuste?

Dr. Roberto Faustino: Os erros fundamentais que a maioria dos casais desajustados comentem referem-se a uma ideia estática e não dinâmica acerca do casamento. Vejo o casamento como um processo dinâmico. Usando uma metáfora, considero-o como uma construção de uma casa, inaugurada ao início da relação, oficialmente ou não, e se estendendo, como obra sempre inacabada, ao longo da vida. Toda casa, em algum momento, requer uma reforma, ou até mesmo uma demolição, a fim de se construir uma nova casa, mais bela, mais espaçosa, mais atualizada de acordo com as necessidades emergentes de cada um. Isso pode significar o mesmo casal conseguir construir um novo casamento para si, ou então se separarem e recasarem. A lista dos “erros fundamentais” daria um verdadeiro tratado, mas eu não posso deixar de mencionar um dos maiores deles que está na ordem do dia: a violência conjugal. Esta poderá ser física, verbal, sexual ou psicológica. Apesar da existência do conflito no casamento ser inevitável (alguns casais afirmam que nunca se desentendem, mas eu não acredito que isso seja humanamente possível), o uso de qualquer tipo de violência para a resolução dessas diferenças é sempre inaceitável para resolvê-las de modo justo, duradouro e mutuamente satisfatório.

Pergunta: A possibilidade do casal se manter amigo após a separação é muito maior quando ele passa pela terapia familiar?

Dr. Roberto Faustino: Não digo amigos, mas conseguirem manter um relacionamento no mínimo respeitoso sim, notadamente quando eles têm filhos, como uma contribuição efetiva da mediação familiar, nesses casos. Procuro sempre enfatizar para os casais que estão se separando que não deveria existir ex-pai, ex-mãe, ex-filho, apesar de ex-marido, ex-esposa, sim (o mesmo pode acontecer com casais homoafetivos).

Pergunta: A palavra perdão tem, realmente, e não é de hoje, uma conotação religiosa, está presente até em livros de auto-ajuda. Alguém se desentende com um parente porque acha que ele agiu mal. Depois liga para o parente mesmo assim e pede desculpas, perdão. O parente responde: “Você não precisa me pedir desculpas, pedir perdão, somos todos pecadores e eu te abençoo da mesma forma”. Ficam bem, em paz. É desse perdão que o doutor fala, o que reconhece que somos todos imperfeitos e, por isso mesmo, capazes de perdoar o outro? Ou não?

Dr. Roberto Faustino: É claro que o perdão pode ser visto por muitas pessoas, como sinônimo de um simples pedido de desculpas em relação a erros corriqueiros cometidos por uma pessoa contra uma outra. Mas eu prefiro me referir, nas sessões com meus clientes, ao perdão como um remédio poderoso contra grandes “feridas” ou mágoas ocasionadas, surpreendentemente, por pessoas muito próximas das quais só se esperava coisas boas (ex: infidelidade, violência entre cônjuges ou entre pais e filhos). Eu prefiro abordar o perdão nas sessões terapêuticas não como um tema religioso, mas levando-o para o campo científico da saúde, como uma forma de ajudar essas pessoas, vítimas de grandes decepções ou abusos, a trabalharem positivamente sua raiva, mágoas ou ressentimentos que nunca desapareceram até então. Existem pesquisas científicas, no âmbito da saúde, que demonstram haver melhor resposta ao tratamento quando o perdão é trabalhado de modo adequado com os pacientes. Vejo a introdução da temática do perdão na psicoterapia como um caminho promissor, e um bom exemplo de diálogo possível entre ciência e espiritualidade (um termo, que se refere ao sentido da vida, relacionado ao não à crença em Deus, e, portanto, mais abrangente que religião).

Alienação Parental – Entrevista com Roberto Faustino

Numa entrevista, em vídeo, para a jornalista e terapeuta familiar Domênica Conde, Dr. Roberto Faustino fala sobre Alienação Parental, com base nos seus mais 30 anos de experiência. Acompanhe a entrevista.